quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Manuscrito Íntimo


Acreditam que pesam sobre meus ombros. Que esmagam minha traquéia. Essas carotidantes lembranças, certas pessoas jugulares. Uma amiga me ensinou que, se quisermos, as pessoas têm botões de "eject". Aprendo rápido. A filhadaputa ejetou, a F., a D., a P. todas ejetaram. Quero mais essa tristeza não; não essa. Quero tristeza vaga, diáfana, tristeza doce, leve e sábia. Você sabe. Já viu um sorriso desse pela rua, um senhor sentado num deck na Lagoa, lembra?


Vinde a mim as criancices! Tô trocando as figurinhas agora mesmo, Deus: pode ficar com 'angústia', me vê minha 'tristeza leve'. Não é que a cruz não seja minha não, é que é inútil mesmo. quero meu carinho, meu amor e meu tempo. Tudo pra mim. Coloca aí na mochila. quero mais um tempo rindo de mim. Correr na orla é terapêutico. O ônibus está chegando. Preciso mostrar meu armário novo para os velhos demônios.


Conto e Receita: ®Ҝ

2 comentários:

gisele disse...

Gostei do textos ... libertador ... Nem sempre é facil lidar com q sentimos ...tudo faz parte do pacote da vida como ela é ...rs bjos

Gaia disse...

Passando o olho rápido pela página,pode haver engano e injustiça em relação ao "Manuscrito Íntimo". Porém,é a intensidade das poucas linhas que revela algo verdadeiro,limpo,forte. Gosto do que escreve,é como pisar no "acelerador" das emoções quando leio,juro. Consigo me identificar em suas palavras e tirar delas um pouco da minha história. Poderia escrever o mesmo e da mesma maneira. Essa frase rapitou minha mente :"Quero tristeza vaga, diáfana, tristeza doce, leve e sábia " e o meu coração; sabendo exatamente o que quis dizer. Continuarei lendo suas obras com prazer e comentando,claro!
Beijos Renato

Se você pudesse transformar 12 contos do Café com Conto em curtas-metragens, quais seriam?